Blog dedicado a recolher análises, dados, interpretações do passado e previsões sobre o futuro do nosso país. Blog voué à la réunion des analyses, des données, des interpretations sur le passé et des prévisions sur le futur du Brésil. Blog dedicated to collect analyzes, data, interpretations of the past and predictions about the future of Brazil.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
O nó tributário brasileiro
Artigo "O Nó Tributário: Porque não se Aprova uma Reforma Tributária no Brasil", aliás muito bem escrito, pelo cientista político Murilo de Oliveira Junqueira, no qual ele argumenta que a causa da dificuldade em se realizar uma ampla reforma tributária no Brasil reside na estratégia geralmente adotada pelo próprio poder executivo federal. A conclusão é que a saída mais viável para se conseguir uma reforma tributária minimamente satisfatória é fatiar o desafio geral em várias "batalhas" temáticas, de modo a reduzir a sobreposição de conflitos de interesse.
Infraestrutura de Dados Espaciais (INDE)
Acabo de conhecer uma ferramenta produzida pelo Governo Federal que permite obter diversas informações sobre o Brasil atual a partir de dados projetados sobre um mapa. Vale a pena consultá-la. Chama-se INDE. O governo espera que ela seja útil aos demais entes federados na produção dos PPA's municipais e estaduais.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
A guerra da informação em tempos de crise diplomática Brasil-EUA
Replico abaixo texto do Blog O Cafezinho no qual se explicam as motivações econômicas por trás da manchete catastrofista da revista britânica The Economist.
Como se já não bastasse o terrorismo diuturno da mídia nativa, agora parece que vai aumentar a pressão da mídia estrangeira também.
Como se já não bastasse o terrorismo diuturno da mídia nativa, agora parece que vai aumentar a pressão da mídia estrangeira também.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Brasil: precisa-se de pensadores estratégicos.
No artigo abaixo, Nassif reclama da falta de centros de pesquisa responsáveis por pensar estrategicamente o futuro do país. Todas as iniciativas mais recentes nesse sentido sofreram pela falta de continuidade e de entrosamento com as instâncias executoras dos projetos.
As iniciativas do MCTI para estimular a cooperação entre instituições de pesquisa e empresas deveriam também contemplar a necessidade de planejamento estratégico para o país. Aparentemente, isso ainda não se tornou prioridade dentro do governo.
A diplomacia como projeção dos interesses econômicos e militares da nação
Volto à ativa neste blog, motivado pelo texto do Fernando Brito, do blog Tijolaço, que reproduzo abaixo. Com base numa tabela que compara os destinos das exportações brasileiras em 2002 e 2012, Brito mostra porque confia que o futuro do Brasil pode ser bem mais importante para o concerto das nações do que o medíocre papel de imitação mal réussi dos EUA. Destaque para a bela imagem usada por Brito para ilustrar o seu artigo no blog (clique aqui).
quarta-feira, 24 de julho de 2013
As ações em ciência e tecnologia anunciadas pelo MCTI
Não que eu creia cegamente em anúncios de ações do governo por ministros em grandes eventos. Até porque nesses assuntos de governo, entre o anúncio e a realização efetiva das ações costuma haver grandes atrasos e mudanças de plano. De qualquer forma, o mínimo que nossos meios de comunicação deveriam fazer era nos informar sobre essas ações. Pelo menos ficaria mais fácil para a sociedade acompanhá-las. Mas como eles não fazem, registro eu aqui o que me parece relevante, para poder me lembrar depois do que se prometeu.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Luis Nassif sobre o "jornalismo fastfood"
"Jornalismo fastfood". Ótima expressão do Nassif. Lembro do tempo em que decidi prestar vestibular para jornalismo, sob o pretexto de que era a alternativa mais recompensadora financeiramente e mais valorizada socialmente, diante das outras opções que eu vislumbrava: Letras ou Filosofia.
Como eu era estúpido!! (mas será que deixei de ser?)
Eram tempos de longas greves nas universidades públicas, escassez de recursos, professores cansados, fora FHC, fora FMI. No ano em que entrei no curso, 1998, devo ter tido no máximo três meses de aula.
Rapidamente descobriria que a profissão de jornalista era, entre aquelas exercidas por pessoas com ensino superior, uma das mais precarizadas. Salários baixos, excesso de horas extras não remuneradas, extrema instabilidade no emprego. Poucos dias atrás, ao ler reportagem sobre as condições de trabalho dos jornalistas brasileiros, vi que o quadro geral hoje é ainda pior.
Obviamente há as exceções - e o que engana na imagem social do jornalista é que tais exceções são os exemplos mais visíveis da profissão. Âncoras e apresentadores de TV, colunistas, comentaristas e repórteres investigativos famosos formam a parte mais vistosa de um minúsculo grupo de profissionais que gozam de um bom salário e de uma certa autoridade que lhes abre portas. No entanto, desconfio que mesmo estes pagam um preço bem caro pela função que exercem.
Paulo Henrique Amorim atribui a Delfim Neto a frase que jornalista de economia não é nem uma coisa nem outra. Temo que a observação se aplique facilmente também a outros assuntos comuns no jornalismo como política e cultura. Por que isso acontece?
Creio que o problema não está no contingente de milhares de jovens que todo ano ingressa em cursos de jornalismos espalhados pelo Brasil. Boa parte desses jovens é oriunda de famílias de classe média e me permito presumir que tiveram acesso a educação básica de boa qualidade (ao menos para os padrões brasileiros).
O problema, a meu ver, está na própria ideia de um curso superior de jornalismo. Pois aquilo que só a prática efetiva do jornalismo pode ensinar dificilmente é reprodutível no ambiente da universidade ou faculdade. Por outro lado, uma formação teórica consistente em uma disciplina ou campo do saber, algo que exigiria vários anos de dedicação quase exclusiva, é substituída por um ecletismo de disciplinas introdutórias às mais variadas áreas e que deve caber em quatro anos de formação superior, em nome da meta de formar um(a) jornalista capaz de falar sobre praticamente qualquer assunto relevante. No final das contas, o que resta de saber específico na formação em jornalismo e que, além disso, encontra no ensino superior o ambiente adequado para ser ensinado constitui material para um curso de no máximo dois semestres de duração.
Consequência perniciosa desse estado de coisas: o exercício reiterado de sermos apresentados de maneira introdutória aos mais diversos assuntos para, logo em seguida, sermos instados a "noticiá-los" tende a nos fazer confundir clareza e objetividade do discurso com o apego a clichés e reducionismos simplificadores. Mais uma vez, há honrosas exceções, mas as pessoas que transcendem esse dilema da formação superior em jornalismo não o fazem por causa do curso, mas apesar dele.
Como eu era estúpido!! (mas será que deixei de ser?)
Eram tempos de longas greves nas universidades públicas, escassez de recursos, professores cansados, fora FHC, fora FMI. No ano em que entrei no curso, 1998, devo ter tido no máximo três meses de aula.
Rapidamente descobriria que a profissão de jornalista era, entre aquelas exercidas por pessoas com ensino superior, uma das mais precarizadas. Salários baixos, excesso de horas extras não remuneradas, extrema instabilidade no emprego. Poucos dias atrás, ao ler reportagem sobre as condições de trabalho dos jornalistas brasileiros, vi que o quadro geral hoje é ainda pior.
Obviamente há as exceções - e o que engana na imagem social do jornalista é que tais exceções são os exemplos mais visíveis da profissão. Âncoras e apresentadores de TV, colunistas, comentaristas e repórteres investigativos famosos formam a parte mais vistosa de um minúsculo grupo de profissionais que gozam de um bom salário e de uma certa autoridade que lhes abre portas. No entanto, desconfio que mesmo estes pagam um preço bem caro pela função que exercem.
Paulo Henrique Amorim atribui a Delfim Neto a frase que jornalista de economia não é nem uma coisa nem outra. Temo que a observação se aplique facilmente também a outros assuntos comuns no jornalismo como política e cultura. Por que isso acontece?
Creio que o problema não está no contingente de milhares de jovens que todo ano ingressa em cursos de jornalismos espalhados pelo Brasil. Boa parte desses jovens é oriunda de famílias de classe média e me permito presumir que tiveram acesso a educação básica de boa qualidade (ao menos para os padrões brasileiros).
O problema, a meu ver, está na própria ideia de um curso superior de jornalismo. Pois aquilo que só a prática efetiva do jornalismo pode ensinar dificilmente é reprodutível no ambiente da universidade ou faculdade. Por outro lado, uma formação teórica consistente em uma disciplina ou campo do saber, algo que exigiria vários anos de dedicação quase exclusiva, é substituída por um ecletismo de disciplinas introdutórias às mais variadas áreas e que deve caber em quatro anos de formação superior, em nome da meta de formar um(a) jornalista capaz de falar sobre praticamente qualquer assunto relevante. No final das contas, o que resta de saber específico na formação em jornalismo e que, além disso, encontra no ensino superior o ambiente adequado para ser ensinado constitui material para um curso de no máximo dois semestres de duração.
Consequência perniciosa desse estado de coisas: o exercício reiterado de sermos apresentados de maneira introdutória aos mais diversos assuntos para, logo em seguida, sermos instados a "noticiá-los" tende a nos fazer confundir clareza e objetividade do discurso com o apego a clichés e reducionismos simplificadores. Mais uma vez, há honrosas exceções, mas as pessoas que transcendem esse dilema da formação superior em jornalismo não o fazem por causa do curso, mas apesar dele.
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